Resenha: O Livro da Psicologia

Faz séculos que li esse livro e a resenha só saiu agora porque os posts são todos programados. Saibam que ele tem por volta de 300 páginas, mas se fosse no formato de um livro normal, teria mais do que o dobro disso. Passei pouco mais de um mês lendo ele e me devia essa leitura há séculos, não me arrependo nem um pouco de ter comprado porque conhecimento nunca é demais. ♥


Autores: Nigel Benson, Marcus Weeks, Catherine Colin, Voula Grand, Merrin Lazyan e Joannah Ginsburg
Editora: Globo
Ano de publicação: 2013
Número de páginas: 352
Classificação: 

Apesar de ser tão grosso e ter tantas páginas, o livro é um resumão da história da psicologia, seus principais "gênios" e teorias (algumas as quais eu discordei, porém, compreendi porque o pensamento dele condizia com o avanço da época).
Não tem nada que você aprenda nesse livro que não te acrescente algo, mas vou começar dando um destaque ao conteúdo sobre memória de curto prazo e memória de longo prazo:


Nem sempre essa perda de memória tem a ver com desinteresse ao que se está tentando aprender, o esquecimento é apenas inevitável. Mas não significa que não possamos driblá-lo: é por isso que os professores sempre dizem para rever a matéria ensinada em casa, o máximo de vezes possível. Assim, a parcela de informações que não foi selecionada para obter atenção terá uma segunda chance, entende? 
É por isso que eu nunca conseguiria decorar esse livro por completo só de ter terminado a primeira leitura, obviamente vou precisar reler mais algumas vezes para aprender tudo de vez.
Nesse post eu dei dicas sobre como aprender com mais facilidade, e se você ler o livro da psicologia, verá que as dicas têm grande chance de funcionar, principalmente as que falam para associar o conteúdo novo a algo do seu cotidiano: em vez de fazer com que seu cérebro se esforce para acrescentar mais uma informação, ele estará completando uma já existente. 
Por exemplo, na primeira dica daquele post eu falei sobre como eu aprendi uma matéria de química: CFC significa cloro, flúor e carbono, é uma "mistura" que destrói a camada de ozônio da Terra, assim como o CFC Caberlon (onde eu ainda estava tentando passar nas provas práticas de direção), estava destruindo minha conta bancária.
A informação de que eu estava irritada com o prejuízo financeiro já existia, eu apenas a complementei mostrando uma semelhança com o conteúdo.

É sempre bom aprender métodos mais fáceis de aprender, porque às vezes o estudo pode ser estressante, acaba fazendo mal, e suavizar esse nervosismo é sempre uma opção bem-vinda.

E por falar em fazer mal, vou comentar uma teoria sobre a Depressão da qual eu discordei, mas como eu disse anteriormente, é compreensível devido à época em que foi criada.

"Ah, como assim, então tu acha que quem tem depressão não presta?"
Não.
Atualmente, o que se sabe sobre essa doença é que se trata da escassez ou falta de serotonina no cérebro, um hormônio forte e importantíssimo para a sensação de bem estar.
Porém, a teoria ateu-se apenas à sensação de culpa, ignorando outras causas e sintomas da enfermidade. Algumas pessoas já nascem com essa escassez de serotonina no cérebro (provavelmente por estresse durante a gestação, hereditariedade ou algo do tipo), e passam a vida precisando de anti depressivos para repor o hormônio que está faltando.
E nem sempre o fato de a pessoa ter nascido assim significa que ela seja boazinha com todos e nunca faça mal propositalmente: talvez a falta de serotonina faça com que ela odeie tudo o que tem, e o pessimismo constante a faça maltratar outras pessoas sem sensação de remorso algum, porque a pessoa está cegada pela negatividade: ela simplesmente acredita que essas pessoas merecem ser tratadas assim por serem fúteis, chatas, ou por qualquer outro motivo que seja. É o tipo de problema que pode ser erroneamante confundido com psicopatia, uma vez que o principal sintoma dessa doença seja a falta de remorso ou de afeto.
Claro, isso não significa que quem tem depressão sempre terá essa predisposição a tratar os outros mal sem sentir culpa, é apenas um dos diversos males que esse problema de saúde pode trazer, e os pacientes não são todos iguais.
Existem vários tipos de depressão, em várias intensidades.


Por fim, como falei em falta de empatia/remorso, vou comentar um certo "causo" que me deixou chocada quando eu li:
Sabe aquele clichê de "cientista maluco"? Qualquer leigo sabe que ele não se aplica à todos os gênios da história, e que a maioria só era julgada assim por apresentar uma tese jamais vista antes.
Porém, Watson se encaixa perfeitamente no conceito de cientista maluco (e de um psicopata também):

Você sabe como funciona o adestramento de um cão, né?
Você vai ensinando os truques, se ele acerta, ganha um biscoito, se ele erra, ganha uma punição (nem todos fazem a punição, até porque é cruel, né?).
O nome disso é condicionamento.

Sabe-se que muitos testes de laboratório são feitos em macacos, por serem primatas como nós e também pela teoria de que o ser humano veio dos macacos.
Alguns desses testes eram feitos com o condicionamento para ver como eles faziam para resolver problemas: eles eram induzidos a solucionar o que lhes aparecesse. A princípio acreditava-se que era por causa da recompensa, mas depois foi descoberto que eles resolviam realmente porque queriam encontrar a solução.
Watson resolveu ir além dos testes em macacos e fazer um teste de condicionamento em um bebê de nove meses.
O que ele queria descobrir era: "Será que é possível ensinar uma criança a ter medo de algo?".
Ele tentou fazer com que o bebê Albert ficasse medo de um camundongo branco peludinho, mas a criança sempre se mostrava impassível e até entediada.
Então, Watson teve a "brilhante" ideia de, quando fosse mostrar o bicho para o bebê, ele martelasse em um objeto de metal, causando um som alto e estridente que assustaria o nenê. Funcionou, e não satisfeito, ele continuou fixando o medo na criança.
Porém, eles perceberam que o resultado foi um pouco longe demais, e qualquer coisa branca e peluda levava Albert ao desespero, seja um poodle, ou um simples casaco felpudo na cor branca.
Não foi possível verificar se o dano foi duradouro porque as experiências foram interrompidas pela mãe, que ficou aborrecida com o prejuízo à saúde mental de seu filho (lógico, né? qual mãe não ficaria indignada com uma atrocidade dessas?). Porém, Watson disse que o cancelamento já havia sido previamente agendado (eu particularmente acredito que seja mentira).
Como na época as pessoas se surpreendiam com qualquer comprovação científica que aparecesse, o trauma causado em uma criança não foi nem um pouco prejudicial à imagem do cientista, que ficou obcecado pela fama e perdeu a sanidade, dizendo exageradamente que poderia ensinar qualquer pessoa a ser qualquer coisa.
O que prejudicou a sua carreira foi um caso extra-conjugal que ele teve com a sua assistente de pesquisa. Talvez você se pergunte por que uma traição foi considerada pior do que maltratar um bebê sem sentir remorso, mas a resposta é muito simples: religião. Até hoje ela não perdeu a força de controle dos princípios morais do ser humano, e um dos pecados mais condenados é o do sexo, da vulgaridade, do adultério, etc. Não estou dizendo que trair é ok, mas sim que muito do que a gente condena vem do que a Igreja pregou ao longo dos séculos. Algumas "pregações" não são tão erradas, até porque uma pessoa traída pode ter sérios traumas emocionais, mas não é difícil entender o porquê de a Igreja ainda ser a responsável pelos conceitos morais (alguns melhores que outros), de todos nós. Até mesmo os ateus e agnósticos.

Mas voltando ao assunto, eu fiquei indignada sim com a história. Não é certo usar os problemas mentais como uma ofensa a alguém, mas certamente ele possuía vários. Eu acho apenas triste que naquela época pouquíssimas pessoas tivessem capacidade intelectual suficiente para identificar o problema dele, ajudá-lo a tratar e evitar o dano causado a um ser humaninho tão pequeno.
Eu me pergunto quanto tempo deve ter levado para aquele bebê se recuperar.
Mas fazer o quê, se aquela era justamente a época de conhecer o comportamento humano e o funcionamento do cérebro, pouco a pouco?

Isso me fez pensar no quanto demoramos a evoluir em coisas que atualmente parecem tão óbvias. E no quanto estamos demorando a evoluir em problemas atuais,
Na nossa infância o mundo parece pronto pra gente, mas à medida que crescemos a gente percebe que ainda falta muito a ser resolvido.
O caso do Albert parece um absurdo por não ter tido impacto sobre a população? O que você tem a dizer sobre haverem racistas, neo-nazistas, terroristas, etc, em pleno século 21?

Aproveite essa resenha para refletir sobre o que você não costuma dar importância. 

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Obs: Não pagarei seu cardiologista nem seu psicólogo/psiquiatra caso acabe precisando.