Resenha: A Garota no Trem

Quando ouvi falar desse livro pela primeira vez, confesso que não dei muita bola. Porém, ao ver algumas sinopses e opiniões sobre o mesmo, decidi dar uma chance a ele e não me arrependi nem um pouco. Perdida na vida, só li um ano depois que virou filme hahaha, mas quem sabe alguma hora a Netflix faça uma boa ação e disponibilize para assistir. 
Se prepare porque o "resuminho" inicial é longo, e a resenha estará cheia de spoilers sobre praticamente todo o livro. Não gosto de me censurar quando se trata de falar o que penso, comento cada pedacinho. ♥



Autor(a): Paula Hawkins
Editora: Record
Número de páginas: 377
Ano de publicação: 2016
Nota: 


Rachel andava de trem todos os dias, e sempre observava um casal que morava em uma determinada casa. Ela imaginava quais seriam seus nomes (pra ela, eram Jess e ...) e o quanto sua vida seria perfeita.
"Mas por que ela fazia isso?"
Porque ela era divorciada há dois anos de Tom, um homem que a traíra e tivera uma filha com outra (Anna). Ela tinha problemas com bebida desde que se descobriu estéril, e isso acarretou nos problemas com bebida, o que levou aos problemas no casamento.
Rach vivia perturbada, ligando para seu ex, não conseguia superar o acontecido. Além disso, estava sempre bebendo e esquecendo do que havia feito quando estava embriagada.
Observar aquele casal era sua válvula de escape, até que um dia, ela flagra Jess beijando um homem no terraço de sua casa, e ele certamente não era seu marido. Isso a afetou, mas é só o começo.
Dias depois, em uma de suas bebedeiras, Rachel estava caminhando próximo a casa de seu ex, e escuta a filhinha deles (que ainda era bebê), chorar. Por algum motivo ela decide entrar no terreno deles, pegar a criança, niná-la e levá-la, mas só consegue chegar até o muro, porque Anna viu a cena e entrou em pânico.

No dia seguinte, algo ainda pior acontece: Jess (que na verdade se chamava Megan), desaparece e Rachel se vê envolvida no caso, mas só para variar, não lembrava de nada que tinha acontecido na noite do crime.
Só o que ela lembrava era que acordou nauseada, com sangue na cabeça (que estava doendo pra caralho), e sem fazer a mínima ideia de como isso tinha acontecido com ela.
Sua amiga, que dividia apartamento com ela, quase a expulsou.

Esse foi, sem sombra de dúvidas, um dos melhores livros que já li. Com muito mistério e suspense, a obra faz com que a gente desvende o caso junto com a protagonista, mesmo sem querer.
Uma das coisas que mais me chamou atenção na história foi o gashlighting que Tom fazia com Rachel (descoberto mais para o final do livro).
Pra quem não sabe, Gashlighting é uma forma de abuso emocional em que o agressor faz a vítima acreditar que ela é louca.
Como a protagonista bebia muito e se esquecia de tudo, Tom aproveitava para agredí-la durante a embriaguez, e no dia seguinte, fazia com que ela acreditasse que a agressora na verdade era ela. E como seu cérebro estava afetado pela bebida, ela acreditava e isso acabava com sua auto estima.
Ela se sentia um monstro, sentia que quando ela bebia e agia daquela forma, já não era mais ela mesma. E sentia que não se culpava o suficiente pelos seus atos (como poderia se responsabilizar 100% de algo que nem lembrava conscientemente de ter feito?).

Durante o livro inteiro, Tom parece um santo. O anjo da guarda de Rachel, que a compreende e defende de sua esposa atual, Anna.
Rachel e Anna passaram a maior parte do livro odiando uma a outra, porém, no final da história, Rachel consegue recuperar todas as suas memórias (inclusive as manipuladas), e descobre um segredo sombrio de seu ex-marido.
Com isso, ela se sente na obrigação de correr atrás de Anna e avisá-la do perigo que podia estar correndo por viver na mesma casa que ele.

O livro não mostra se Anna tornou-se amiga de Rachel (dando a entender que não, mas que no fundo, parou de odiá-la e passou a entendê-la um pouco), mas mostra o quanto o machismo pode manipular a mente de muitas mulheres, tornando-as rivais.
Anna se sentia poderosa por ter sido a amante. Irresistível, afinal, ele largou a esposa para ficar com ela! Não é demais?
Não. Porque quem trai uma vez, trai duas, pois não vê problema nesse ato. Mas como abrir os olhos de uma mulher apaixonada, não é mesmo? Algumas ficam cegas, incapazes de enxergar onde estão se metendo.
Que era o caso de Anna. Para ela, Rachel era a famosa ex maluca, perturbada, que se recusava a aceitar a perda. Não passava pela sua cabeça que talvez, a razão da perturbação pudesse ser Tom. Que a largou por não ser mais a esposa perfeita. Ele era o tipo de homem que quer uma mulher para satisfazê-lo, e se ela começa a ter problemas de quaisquer tipo, ele pula fora e a descarta como lixo.

Uma frase que muitas mulheres como Anna precisam colocar em suas cabeças é: "se não me amas no meu pior, não mereces o meu melhor".
A vida é feita de altos e baixos, e assim são os relacionamentos. Se uma pessoa larga outra por não estar mais em seu melhor estado, então ela não merece ficar com ninguém. Fique longe desse tipo de gente, não se permita sentir-se superior a quem você substituiu porque um dia, a substituída pode ser você.

Leia esse livro para ontem, e tome ele não apenas como um bom livro de mistério, mas também com uma lição de vida.

Veja o trailler do filme rapidinho:


PRE-CI-SO ver esse filme, pois esse foi com certeza um dos melhores livros que já li.
E vocês, já leram? O que acharam? 

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5 Fumados comentaram aqui

  1. Oi Amanda, quanto tempo que não comento! Primeiro, parabéns pela faculdade, eu fiquei muito muito muito feliz quando li sua saga para entrar no ensino superior, e você conseguiu. Parabéns mesmo, de verdade. Sobre esse livro, eu já estava com vontade de lê-lo há tempos, e sua resenha foi o estopim para que eu finalmente decidisse começar essa leitura que, aliás, promete ser boa, hein. E quanto ao livro "Gina", da Maria José Dupré,, você precisa lê-lo também, viu. É fantástico, um livrão fabuloso mesmo!... Parabéns pela faculdade, pelo blog, e por sua forma de escrita, sempre fluída, informal e nunca enfadonha. Seu blog está ficando bastante popular, sabe? Outro dia fiquei assim, assim... quando ouvi, por acaso, duas meninas da faculdade falando de um tal de "Fala aí Maluco", que eu já conhecia desde o tempo do "Antigos Diários". É isso aí, bom feriado, aproveite; e não veja muita série, hein kkk. Ah! Gostei do livro da psicologia, que você indicou outro dia por aí.



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    1. Fiquei muito feliz com a minha fama kkkk Tô até curiosa pra saber o a elas falaram.
      E sobre o livro Gina, não consegui ler porque o PDF aparecia direto na tela (não sei explicar), e além de não conseguir copiar pra fazer um PDF com ele, não achei pra baixar. Acredito que por burrice minha mesmo rsrsrs

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    2. Oi Amanda, eu criei um PDF do livro "Gina" pra você, espero que agora
      consiga baixar normalmente. Não sei o que tem alguns arquivos, que a
      gente não consegue criar os pdf mesmo. Mas aqui está, use o link abaixo
      pra pegar essa versão, que eu criei agorinha mesmo. Depois responda
      aqui pra dizer se conseguiu baixar e abrir normalmente, tá certo? Gina é um
      livro pra ser lido sem pressa, degustando cada palavrinha da narrativa.
      O problema é que, uma vez que você comece à ler, não vai querer largá-lo
      mais até terminar... Baixe aí:

      Se o link ficar quebrado, junte tudo numa linha só e remova os espaços em branco; eu não sei se o Blogger deixa a gente postar links nos comentários:

      https://dl.dropbox.com/s/8a4jc40pve2gz0w/Gina.pdf

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    3. Olá! Desculpa a demora pra responder, mas muito obrigada pelo PDF. Já baixei e coloquei no celular, mas não sei quando vou poder ler, já que sempre tenho algum polígrafo da faculdade para ler e faz um tempinho que não leio (os posts do blog são todos programados, então nem lembro quando li "A Garota no Trem" rsrs). Mas assim que eu puder, vou ler e resenhar com todo o carinho ♥

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  2. Legal! Eu também estava louca prá ler mas achei o fim meio previsível... Tipo, lá pelas tantas já era meio óbvio o que iria acontecer... Mas no geral, gostei, e espero ainda ver o filme :)

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Obs: Não pagarei seu cardiologista nem seu psicólogo/psiquiatra caso acabe precisando.