#Resenha 13 Reasons Why, o livro que inspirou a série

Neste post, eu falei sobre a série 13 Reasons Why sem mencionar o livro, porque eu não tinha tido tempo de ler (e acredito que foi melhor assim, pois o foco era pra ser a série mesmo).
Houveram vários boatos sobre a história do livro, um deles dizia que a Hannah não havia se matado de verdade, e que tudo não passava de uma armação para conseguir uma indenização bem gorda.
Ok, a história do livro não é exatamente como na série: alguns personagens tiveram seus porquês modificados, mas os boatos sobre o suicídio não ter ocorrido são falsos.
E o objetivo do livro é o mesmo que o da série: conscientizar. Fazer as pessoas refletirem sobre suas atitudes no dia a dia. 
Se quiser saber mais, continue lendo. É importante.

Autor(a): Jay Asher
Editora: Ática (PDF disponibilizado por Le Livros)
Número de Páginas: 203
Ano de Publicação: 2016 (aproximadamente)
Nota:  

O resumo do livro é basicamente o mesmo que o da série: Clay Jensen recebe uma caixa de sapatos com 7 fitas cassete dentro, sem a informação do remetente.
Ao ouvir, descobre que as fitas revelavam os 13 motivos de sua crush, Hannah Baker, ter se matado.
Na série, ela se cortou em uma banheira. No livro, se entupiu de remédios para que o suicídio não fosse doloroso e seus pais não presenciassem uma cena tão horrível ao encontrá-la morta.

Pela primeira vez, dei a nota máxima a um livro: o coraçãozinho de "favorito". Não por causa da história em si (que não deve ser romantizada como muitos fizeram), mas por causa da intenção por trás dela: fazer os leitores refletirem sobre como eles tratam as pessoas no dia a dia, e como eles podem afetar a vida de alguém com uma atitude aparentemente pequena.



No final do PDF disponibilizado pelo site Le Livros, há uma entrevista com um autor na qual ele explica algumas coisas sobre a sua criação. Sobre as fitas cassete, ele explica que escolheu algo antiquado justamente por ser antiquado:
"Com a tecnologia mudando tão rapidamente, é impossível um romance ambientado nos dias de hoje permanecer atual se os personagens utilizam o equipamento mais moderno. Assim, em vez de fazer Hannah postar seus motivos online, usei uma forma de gravação muito mais antiga, fazendo os personagens reconhecerem isso. Quando algo é antiquado, e os personagens lidam com esse fato numa boa, o livro repentinamente se atualiza.(...)", diz Jay Asher.
O formato do suspense (fazendo o personagem descobrir os motivos aos poucos), foi feito estrategicamente para que as pessoas continuassem lendo o livro até o final. Como é um tema polêmico e ele queria fazer com que as pessoas pensassem no assunto, primeiro teria que fazê-las ler o livro.

Se você está vivenciando a depressão e/ou pensamentos suicidas, clique aqui para procurar ajuda, ou ligue 141. E se alguma pessoa do seu convívio estiver passando por isso, mostre isso a ela e a apoie. 


Além disso, ele fez também uma revelação. Uma das perguntas era se alguma das cenas do livro era parecida com experiências reais. Parte da resposta é deprimente (mas não me surpreende, considerando como as pessoas são de forma geral):
"(...) Teve uma lembrança séria que entrou no livro. No colégio, quando eu estava na aula de comunicação entre jovens, apareceu um bilhete suicida quase idêntico ao de Hannah, deixado no saquinho de papel  do nosso professor. Também era anônimo e a classe reagiu como está descrito no livro. E nunca descobrimos quem o escreveu"
Pra quem não sabe, essa cena aparece na série também. Os alunos disseram que como era anônimo, não tinha como ajudar, porque não era possível saber o que estava acontecendo na vida da pessoa.
Vou mostrar abaixo um trecho do livro, citando a narração da protagonista:
"Uma pessoa falou que seria difícil ajudar o fulano sem saber por que ele queria se matar.
E eu me segurei para não dizer: 'Ou ela. Pode ser uma garota.'
Aí, os outros começaram a dar suas opiniões:
'Se essa pessoa se sente sozinha, ela pode almoçar com a gente.' 'Se tiver notas baixas, podemos ajudá-la a estudar.'
'Se tiver problemas em casa, talvez pudéssemos... sei lá... incentivá-la a procurar um psicólogo ou algo assim'.
Mas tudo o que eles disseram - tudo! - veio com certo tom de irritação.
Até que uma das garotas, cujo nome não me interessa, disse tudo o que todo mundo tava pensando.
'Parece que essa pessoa que escreveu esse bilhete só quer atenção. Se fosse sério ela teria dito quem é'.
Eu não consegui acreditar.
Triste não é ler um livro de ficção mostrando cenas assim. Triste é saber que isso aconteceu mesmo. Triste é saber que na vida real, existem pessoas que não têm a menor empatia com os problemas alheios. Aí, quando a pessoa morre (seja por suicídio ou não), rola toda uma comoção: mas ela era uma boa pessoa, ela era tão jovem, tinha tantos sonhos, era tão inteligente, eu gostava tanto dela...
Então por que não deixaram ela saber que era tão importante? Por que preferiram ter "razão" e menosprezar os problemas dela?

E outra: que atenção a pessoa vai receber por um bilhete se ele é anônimo? Ninguém sabe quem é pra dar atenção!

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Para finalizar, mais uma vez eu peço: sejam gentis uns com os outros. Não se permitam virar a cara para alguém por causa de um dia de mau humor. Não se permitam magoar alguém por causa de um dia de mau humor: é normal, mas peça desculpas.
Se alguém lhe pedir conselhos, dê. E se não souber o que fazer, esteja ao lado dessa pessoa e deixe isso claro.


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Obs: Não pagarei seu cardiologista nem seu psicólogo/psiquiatra caso acabe precisando.