Sororidade tem limite?

Uma das características do feminismo é a sororidade: mulheres defendendo umas às outras, e estando uma do lado da outra sempre. Independente das circunstâncias.
Ele ensina a não ficar nessas de "não vou com a cara de fulana, ela parece meio nojenta". Ou "fulana de tal é puta, deu pra toda a escola/faculdade". 
Ok, nessa parte eu concordo.
E eu concordo também que, ao ver uma mulher se dizendo contra o feminismo, é muito mais eficaz explicar o negócio com calma do que se deixar levar pela indignação do "como assim, você trabalha, estuda e é contra o feminismo? Se não fosse por ele você não teria nada disso!".

Porém, até onde essa irmandade vai?
Algumas dizem que quando um homem trai, os amigos ajudam a mentir e tals, e que as mulheres também deveriam ser unidas assim.
Pois eu digo o seguinte: se eu ver uma amiga minha traindo ou querendo trair, não vou passar a mão na cabeça. Posso não querer dedurar ela, mas também não vou fingir que concordo em nome da amizade. Vou ser sincera e se ela estiver infeliz no relacionamento, vou aconselhar a terminar. E se for algo mais sério, vou aconselhar a ligar 180. Não para culpá-la de piorar a situação com a traição, mas para incentivá-la a não prolongar aquilo, e dizer que ela não merece passar por isso, não importa o quão baixa esteja sua auto-estima.
"E se ela for a traída?" Aí eu conto pra ela, óbvio.

Outro exemplo, é que já tive uma amiga bem egoísta. Em um trabalho escolar, tínhamos que tirar foto de uma paisagem e dizer se ela era natural ou cultural. Ela queria tirar foto do mato, e podíamos muito bem tirar foto em uma rua perto da minha casa, mas não, tinha que ser do jeito dela: lá onde Judas perdeu as botas. Só que eu estava com uma rasteirinha de sola finíssima e ela disse que era perto (não era). Resultado? Fiquei com uma bolha no meu calcanhar INTEIRO e tive que ir no hospital pra furar aquilo. A primeira enfermeira que apareceu se arrepiou toda e pediu pra outra fazer aquilo.
Quando eu contei pra minha "amiga", ela fez cara de pouco caso.
Amiga da onça, essa né? Daquele ano aquela amizade não passou, ela fez mais uma coisa ou outra, não se arrepependeu, e eu cortei laços.
Nunca mais vi ela em lugar algum, e se eu visse, acho que eu fingiria que não percebi.
"Mas e se ela quisesse retomar a amizade, você aceitaria?".
Ela já tentou, mas percebi que era só pra pedir coisa e cortei laços mais uma vez. Os primeiros a perceberem e me avisarem foram meus pais, que sentiram a intenção quando ela ligou.  
Quando eu comentei o que ela tinha pedido, eles disseram "eu sabia que ela ia fazer isso".
Geralmente ela era assim, só me chamava quando queria algo.
Às vezes ela me convidava pra ir na casa dela (em 4 anos de amizade ela só veio na minha casa uma ou duas vezes), e quando eu chegava lá, mudava de planos e eu ia pra casa com raiva.
Quando deixamos de ser colegas de sala, marcávamos de nos encontrar na saída pra irmos pra casa juntas. Ela não fazia questão de lembrar. Talvez porque eu parei de ir na casa dela de manhã cedo pra irmos pra aula juntas, mas né? 6 da manhã, minha mãe achava perigoso. Mas tem gente que não entende, só liga pro próprio umbigo.

Essa história da ex amiga (que no caso era uma amiga da onça), já é meio antiga (se não me engano ela tentou retomar a amizade em 2014), mas serve de um exemplo para o que eu quero dizer sobre limite da sororidade.
Homens fazem merda. Mulheres fazem merda. Todos fazem merda, e algumas machucam.
Se uma pessoa na sua vida é tóxica, você larga, não importa o sexo/gênero. Não tem essa de "ah, mas temos que ser unidas". 
Reciprocidade: gosto disso também. Se eu perceber que sou a única a tentar manter contato, e que eu tenho que ficar correndo atrás pra manter a amizade, que eu sou a primeira e única a pedir desculpas em uma desavença, eu paro de tentar. Simples assim. E isso vale para ambos os gêneros.

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