Parei com a Baleia Rosa

Pra quem não sabe do que eu estou desistindo (kkk), vou explicar:
Vocês lembram daquele desafio da Baleia Azul, né? Ele era uma lista de 50 atividades auto-destrutivas que a pessoa era obrigada a fazer, e o último era se matar. E a parte mais perigosa não era essa: era que se a pessoa tentasse parar, sofria ameaças de homicídio de seu "mentor", e em alguns casos realmente houve assassinato.
A Baleia Rosa surgiu como um contraponto ao Desafio da Baleia Azul, visando conscientizar as pessoas sobre o suicídio (inclusive, no site deles tem os números de telefone do Centro de Valorização da Vida, que é conhecido por fornecer apoio a quem sofre de depressão profunda e precisa conversar sobre o assunto).
O Desafio da Baleia Rosa tinha, a princípio, uma lista de 50 desafios cujo objetivo era incentivar as good vibes, a boa auto-estima, o perdão, a compreensão, a empatia, a solidariedade, etc (agora já são mais de 100 e não há previsão de término). A cada desafio feito, é necessário compartilhá-lo nas redes sociais de algum modo (provavelmente para popularizar o desafio, levando outras pessoas a participar e espalhar o bem).
"Abraços grátis"
Porém, eu acabei estranhando um pouco essa coisa de precisar mostrar pra todo mundo cada vez que você completa um desafio. O desafio em que eu empaquei foi o 21: peça desculpas ou perdoe alguém (desbloquear aquele amigo das redes sociais também vale). 
Não que eu nunca tenha tido desavenças com ninguém, e recentemente uma pessoa do meu passado decidiu retomar contato comigo. Prefiro não falar o que era (não quero falar da minha vida pessoal aqui), mas enfim, perdoei a tal pessoa e só depois me toquei que esse era o próximo desafio da lista.
Aí imaginei como seria compartilhar esse feito: "Oi, vamos tirar uma selfie? Eu tô fazendo o desafio da Baleia Rosa, e o próximo desafio da lista é perdoar alguém, e por coincidência, eu te perdoei!". Soa falso, entende? E fica uma cena meio ridícula também.
"Trazemos a pessoa amada de volta, mas dependemos de você: seja um doador de órgãos"
Fora que participar da Baleia Rosa me fez sentir como se eu tivesse proibida de demonstrar mau-humor de vez em quando, reclamar, ou me sentir ofendida com alguma coisa. É como se eu tivesse que estar sempre bem, feliz e grata por tudo na vida. Vinte e quatro horas por dia, 7 dias na semana.
Só que isso não existe: coisas ruins acontecem de vez em quando, e a nossa reação sempre vai ser proporcional ao que aconteceu. Há alguns dias eu tava olhando minha conta do banco pela internet e descobri que alguém pediu 3 empréstimos caríssimos no meu nome. Se eu não fizesse nada, ia ficar até 2019 pagando. Obviamente eu pirei quando vi aquilo, mas depois resolvi, fiz B.O, fui no banco e cancelaram tudo. 
Mas no meu lugar, será que tem alguma pessoa no mundo que se depararia com um roubo desses (ou estelionato, que é o que constava no boletim de ocorrência), e ficaria de boa? Não. Mesmo as pessoas mais calmas ficariam incomodadas com isso, e minimamente preocupadas com uma dívida dessas surgindo do além.
Enfim, eu entendo e aprecio a intenção do Desafio, achei linda a proposta e mesmo não querendo mais fazer, eu ainda recomendaria ela para as pessoas ao meu redor.
Óbvio que largar a Baleia Rosa não me impede de fazer boas ações, quem me conhece sabe que apesar de eu ter vários humores diferentes em um só dia, eu gosto de ajudar. Quando uma pessoa desabafa comigo, eu sempre tento ser o mais positiva possível com a pessoa porque eu quero que ela acredite que tem a capacidade de resolver aquilo e que vai dar tudo certo. Eu dou meus conselhos, a pessoa segue se quiser, e às vezes isso realmente ajuda a resolver o problema. Se não, pelo menos a pessoa viu em mim alguém que foi compreensiva e não rotulou a situação dela como "séria" ou "mi-mi-mi". 
O que eu puder doar, eu doo. O que eu puder emprestar, empresto. Onde eu puder ir, eu vou.  O que eu puder fazer, eu faço.
Claro que tem limites, se um espertinho resolver se aproveitar e eu perceber, ele que vá pedir favores para outra pessoa.
"Ajudar é fazer do mundo um lugar melhor"
Talvez eu ainda cumpra alguns desafios da lista. Não vou me obrigar a fazer todos eles, nem a divulgar sempre que eu fizer, mas falar pros meus pais que eu amo eles (desafio 25), doar o que eu não uso (desafio 27), dar bom dia, agradecer, e ser respeitosa com as pessoas que me cercam (desafio 32), não são coisas difíceis de se fazer e muito menos dependem de eu ter chegado naquele estágio da lista. Eu posso fazer a qualquer momento do dia, e não precisa de divulgação. É só fazer. =)

Não seria triste se precisássemos que uma lista nos educasse e dissesse para sermos gentis uns com os outros?
Independente de fazer parte da Baleia Rosa, ainda estarei fazendo parte do time de pessoas que prezam a empatia, solidariedade, o amor próprio e ao próximo (na medida do possível, porque sejamos realistas: quanto maior for a quantidade de merda que uma pessoa tiver feito na nossa vida, maiores as chances de a gente se afastar dela).
Acho que é isso, né? Tchau kk (post raríssimo em que eu me despeço no final).

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1 Fumados comentaram aqui

  1. Pior que é verdade o que você falou no post. É estranho ter uma lista de coisas boas para fazer, acho que todo mundo sabe o que é certo e o que é errado né ? Apesar de que a proposta do desafio é ótima, afinal é tudo ao contrário do que o desafio da baleia azul propõe.
    Mas mesmo assim, quando fizermos algo bom, não precisa postar nas redes sociais ou fazer um textão no facebook pra ganhar compartilhamentos e likes. Até parece que as redes sociais estão dominando nossa vida!

    Enfim, que nem diz aquele ditado: "fazer o bem, sem olhar a quem."

    Beijos
    Inverno de 1996

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Obs: Não pagarei seu cardiologista nem seu psicólogo/psiquiatra caso acabe precisando.