3 Livros que vão te fazer amar a Clarice Lispector


Clarice Lispector foi uma escritora e jornalista que nasceu na Ucrânia enquanto seus pais (que eram judeus) planejavam fugir para o Brasil para fugir do antisemitismo que resultou da Guerra Civil Russa. Ela naturalizou-se brasileira. Ela aprendeu a ler e escrever com 7 anos e se apaixonou pela escrita desde então. Na infância, escrevia contos para para a página infantil do Diário de Pernambuco, mas ninguém queria publicar porque os contos das outras crianças eram "era uma vez, isso e aquilo" e os de Lispector eram sensações. No primário, ela gostava bastante de matemática, e ajudava os filhos dos vizinhos, e na terceira série, a doença que sua mãe tinha (sífilis) piorou, e Clarice escreveu alguns contos para agradá-la. Quando sua mãe morreu, escreveu uma peça de piano para homenageá-la. 
Em 1933, ela decidiu se tornar escritora. 

O primeiro livro que ela escreveu foi Perto do Coração Selvagem, que foi um sucesso estrondoso e é um de seus melhores livros:


Perto do Coração Selvagem: Foi premiado o melhor romance de estreia em 1944, pela Fundação Graça Aranha. Quando Clarice Lispector o escreveu, possuía 20 anos de idade. A protagonista se chamava Joana, que contava sua história de vida em duas partes: sua infância, e sua vida adulta. 
A menina era criada pelo pai, pois sua mãe havia morrido muito cedo. Gostava de escrever desde pequena, mas como seu pai não a dava a atenção que desejava, acabava não gostando muito dele. Alguns anos depois ele morreu, e Joana foi morar com sua tia (irmã de seu pai), que não foi muito com a cara da sobrinha e a mandou para um internato. 
Joana era uma menina insegura, que não gostava da própria aparência e queria ser tão bonita quanto as adultas que via, mas se transformou em uma mulher adulta que se tornou bastante independente após alguns fracassos amorosos.

É curioso não saber dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma no que eu digo. (Trecho de Perto do Coração Selvagem)

A Hora da Estrela: Neste livro, um narrador chamado Rodrigo S.M. conta a história de uma garota nordestina chamada Macabéa. Ela possuía 19 anos e era datilógrafa, apesar de ter estudado pouco e não saber escrever direito (ela recebia menos do que um salário mínimo). Ela cheirava mal porque raramente tomava banho, não dormia direito por causa da tosse insuportável e por causa da azia (que era causado pelo café frio que ela tomava antes de deitar) e da fome, que ela tentava disfarçar comendo pedacinhos de papel. E como não comia direito (seu único alimento era cachorro quente e coca cola), era magra e pálida. Um dia seu chefe a despediu por estar cansado do péssimo trabalho que ela fazia: textos datilografados cheios de erros de português e marcas de gordura. Apesar de ele ter gritado com a garota, sua reação foi humildemente pedir desculpas pelo aborrecimento, o que o deixou comovido e convenceu-o a mantê-la no trabalho por mais um tempo.
Não vou falar mais do que isso para não dar spoiler, mas o livro é bem triste, algumas pessoas choram com o final dele.

Ela acreditava em anjos, e porque acreditava, eles existiam. (Trecho de A Hora da Estrela)

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui” 

Laços de Família: Esta obra é, na verdade, uma antologia com 13 contos sobre as relações da família, dando profundidade a cada personagem e mostrando também como os laços podem unir ou aprisioná-los a seus familiares. 

“…Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher; com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem felicidade se vivia… Olhando os móveis limpos, seu coração se apertava um pouco em espanto. Mas na sua vida não havia lugar para que sentisse ternura pelo seu espanto…” (Trecho do conto "Amor", de Laços de Família)

Eu poderia ter citado vários outros livros como Água Viva ou A Paixão Segundo G.H, mas decidi me ater apenas a esses três para não deixar o post longo demais. Porém, eles são um belo modo de começar a ler essa escritora maravilhosa que nos inspira com sua abordagem poética e profunda.

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